sexta-feira, 7 de março de 2008

Viver tem sido um misterio e o mais longe que chego menor a nocao de realidade. A vida se transformou num mecanismo, a ordem `e seguir o caos. Ou se tiver sorte e vir um coelho branco passando, siga o coelho.

poema suicida

Se por acaso nao me matasses...

Eu te daria outro bejio
O meu olhar pularia da face
sorrindo com desejo

Se por acaso nao me matasses
Eu viveria de algum jeito
Mas se a morte nao chegasse
suicidaria no teu beijo.

Se por acaso,
Eu nao estivesse sangrando
Nao haveria a dor dos golpes
Nem facas manchadas de sangue

Se por acaso me amasses...

Viver seria uma poesia
E por certo te amaria...

Se por acaso me matasses.

LB

quinta-feira, 6 de março de 2008

Por que?
Ave Sangria
Composição: Marco Polo

Nada de novo no fronte
E na retaguarda também
Tudo normal desde ontem
Quando houve sol e alguém cantou... yê, yêi.
.Alguém de cabelos longos E doce sorriso também
De um tempo que hoje vai longe
Longe do mal e do bem
Do amor, quem viu?Eu sou da cidade
Mas nasci no mar
Tudo que eu quero é cantar por enquanto
Eu sou da cidade mas nasci no mar
Tudo o que eu quero é chamar teu nome
Nada se move no monte
E o sol mergulha no mar
Vento e silêncio na ponte
E tudo se perde no ar
Por que?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Receita caseira

-
Para ser feliz amor, nao precisamos flores no jardim...
Facamos assim:

de noite beijo ardente, fogo na lingua
de manha, beijo com gosto de saliva
depois ate logo, o dia comeca.

Voce me olha , ja nao estou tao bonita
cara amassada, noite mal dormida.
Assim os dias passam, voce na minha vida.
***** *********** ***********

A primeira dose 'e para ter cabelo na testa e manter o que resta.
A segunda `e para dar moral,
uma pilula para ir ao trabalho como se fosse carnaval

Depois da ressaca e o sonrisal, 'e a vez do anticoncepcional.
Mais uma dose contra a apatia, outra para estimular a bulemia.
Depois voltar para casa, esquecer toda essa drogra, rezar por mais um dia.

***********

LB

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A seco...



Tem coisas que a gente só diz de porre
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose... afetiva.

Leila Miccolis



terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Loucura


Loucura

O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim
Que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa.
Mas não quero viver comigo mesma.
Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos,
Beber um Benedictine ardente.
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntimas delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava esperando.
Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
Com estímulos sensuais em muitas direcções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
E entrei em erupção sem avisar.


Anais Nin

Silêncio

"(...) Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio.
Que se espere, pois as folhas das árvores
ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas.

Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece.

O coração bate ao reconhecê-lo.(...)"

(Do livro Onde Estivestes de Noite.)

Trouble in mind, I'm blue
But I won't be blue always, '
Cause the sun's gonna shine
In my backdoor some day."...


** ouvindo Janis Joplin

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Once there was a timeWhen my mind lay on higher things And once there was a timeI could find pretty words to sing But now, well now I findIt saves time to say what you mean

The Divine Comedy,
Quieta, fico no meu canto. Expondo a cara a tapas.
Nao sei quantas mortes precisarei viver para renascer...

"Quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo!" Nietszche

***
Enquanto isso busco energias, na tentativa de um novo ceu. As vezes me como Sisifo, que tendo enganado a morte duas vezes foi condenado a rolar uma pedra de marmore ao cume de uma montanha, mas sempre que chegava topo a pedra rolava montanha abaixo.
***

frases do dia

"Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos."

"A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo."

Anais Nin
****

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Será que você intepretaria em minha carne crua o meu desejo?
Será que suspiros substituiriam as palavras?

Eu sinto tanto que nao sei como dizer...
Te quero com ternura, te amo simplismente.
Sinto falta da tua presença, daqueles risos tolos.

Nao preciso das tuas palavras, mas o teu silêncio é um abismo.

.... enquanto isso caminhemos de mãos dadas.

LB

"O amante de Lady Chatterley"

"E, como também ele se houvesse despido na frente, houve um perfeito colamento de epidermes ao dar-se a penetração. Mellors penetrou-a e ficou parado dentro dela, túrgido e palpitante, até perceber o começo do orgasmo de Constance - e não ritmou os movimento de vaivém. Frementes, frementes, como o palpitar da leve chama, leve e macia como pluma, as entranhas de Constance começaram a derreter-se lá dentro. Era como o som dum sino que, de vibração em vibração, sobe do vago ao apogeu. E Lady Chatterley não teve consciência dos gemidos e gritinhos selvagens que dava - que deu até o fim. Fim da parte dele, apressado demais, sobrevindo antes que ela acabasse - e Constance não podia acabar sozinha. Daquela vez tudo era diferente, diferente. Por si nada podia fazer. Não podia retesar-se para mantê-lo dentro de si até que o gozo sobreviesse. Só podia uma coisa, esperar - esperar mentalmente e gemer ao sentir que ele se contraía, se retraía, já próximo a escapar à sua sucção."

("O amante de Lady Chatterley", de D. H. Lawrence. Tradução: Rodrigo Richter)
Estranho observar a passagem do tempo
Olhar para trás, lembrar de momentos
Fechar os olhos e tentar reviver uma sensação
Como é sombrio os quartos que habita a memória
O que foi realidade aos poucos afasta-se,
trasnforma-se em pontos luminosos
misturados e desconexos...
Aos poucos a lembrança mistura-se ao que se parece com sonho

Quanto vale lembrar quando nao se pode mais sentir?
Aquilo que fomos passou enquanto passavamos ...

Fantasmas da realidade, hoje reconhecemos o vazio
Enquanto andamos ébrios, na boca um gosto de ressaca.

L.B
foda-se

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

“Pedro não reparara em Natasha não porque jamais esperasse vê-la ali, mas por causa de enorme mudança ocorrida nela desde a última vez que a vira. Ela estava mais magra e mais pálida. Mas não era isso que a tornara irreconhecível. Era impossível reconhecê-la à primeira vista porque naquela face, em cujos olhos antes sempre brilhara um sorriso secreto de alegria de viver, agora, quando ele chegara e a vira pela primeira vez, não havia sequer a sombra de um sorriso; eram agora olhos comuns – atentos, gentis, tristemente inquisitivos”.


Guerra e Paz.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

alguma coisa, sempre está acontecendo...

Essa semana, numa ocasiao muito inesperada, eu vi a vida quebrando a casca, como se fosse a de um ovo. Surpresa, admiração e ao mesmo tempo riso.

Enquanto eu estava sentada sozinha numa lanchonete, observava as pessoas ao redor e ocorreu a seguinte cena, a moça sentada ao lado com a família entra em trabalho de parto antes mesmo de ter tempo de olhar o cardapio.

Confusos, todos se levantam. Observo que o ultimo ao sair é um senhor, ele nao queria ir embora mas teve que ir. Talvez a sua vontade fosse comer pizza....

******

Emprego aqui as palavras do Joao Cabral de Melo Neto para fugir desse absurdo.


MORTE E VIDA SEVERINA (João Cabral de Melo Neto)

"...E não há melhor respostaque o espetáculo da vida:vê-la desfiar seu fio,que também se chama vida,ver a fábrica que ela mesma,teimosamente, se fabrica,vê-la brotar como há poucoem nova vida explodida;mesmo quando é assim pequenaa explosão, como a ocorrida;mesmo quando é uma explosãocomo a de há pouco, franzina;mesmo quando é a explosãode uma vida severina."

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Seiscentos e sessenta e seis

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Mário Quintana

O poeta inventa viagem, retorno e morre de saudades


Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.

Hilda Hilst
(1930-2004)

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Um homem chamado Alfredo...

"O meu vizinho do lado Se matou de solidão. Ligou o gás, o coitado, último gás do fogão Porque ninguém o queria Ninguém lhe dava atenção Porque ninguém mais lhe abria As portas do coração Levou com ele seu louro e um gato de estimação.

Há tanta gente sozinha Que a gente mal adivinha Gente sem brilho no olhar Gente sem mão para dar Gente a que basta um olhar (quase nada)... Gente com os olhos no chão Sempre pedindo perdão Gente que a gente não vê Porque é quase nada"

Eu sempre o cumprimentava porque parecia bom "um homem por trás dos óculos" como diria Drumond e num velho papel de embrulho deixou um bilhete seu dizendo que se matava de cansado de viver Embaixo assinado "Alfredo" mas ninguém sabe de quê.

Vinicius de Moraes.




Me perdoa...

Com a mesma falta de vergonha na cara eu procurava alento no
Seu último vestígio, no território, da sua presença
Impregnando tudo tudo que Eu não posso, nem quero, deixar que me abandone
Não posso, nem quero, deixar que me abandone
Não posso, nem quero, deixar que me abandone não
São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro
No presente que tritura, as sirênes que se atrasam
Pra salvar atropelados que morreram, que fugiam
Que nasciam, que perderam, que viveram tão depressa,
Tão depressa, tão depressa

E de repente o telefone toca e é você
Do outro lado me ligando, devolvendo minha insônia
Minhas bobagens, pra me lembrar que eu fui a coisa mais brega
Que pousou na tua sopa.
Me perdoa daquela expressãopré-fabricada
De tédio, tão canastrona que nunca funcionou nem funciona me perdoa a vida é doce
me perdoa a vida é doce

A vida é doce...

( Lobão)

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Se perguntarem por mim.
diga que não suporto mais, cansei, que aquelas vozes soam como eco.Não vou dar risada sobre a piada repetida, que nunca achei graça.
No final tanto faz....
Talvez na proxima rodada,
mais uma dose...
Talvez embriaguez,
perca dos sentidos...
Talvez com a cara amassada,
sonhos de uma noite...
Talvez, olhando para os lados ,
eu nao me perca...
E Por olhar distraída,
eu encontre as margens...
E abandonado as margens,
nao me afogue na profundidade...
E controlando o fôlego, aprenda a mergulhar...

Talvez, nada mais...

LB

Acontece...

ACONTECE....

Esquece nosso amor vê se esquece
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que já não sei mais amar
Vai chorar vai sofrer
E você não merece
Mas isso acontece
Acontece que meu coração ficou frio
E nosso ninho de amor está vazio
Se eu ainda pudesse fingir que te amo
Ai se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo
Isso não acontece

(Cartola)
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http://almanaque.folha.uol.com.br/cartola.htm
Querido fulano,

quis escrever um poema, talvez uma carta de amor
Mas poema nunca foi meu ofício, fiquei com as idéias

Pensei em falar sobre amor, sobrou palavras
Palavras soltas, restou esse texto desconexo
Sobre um amor ausente, que partiu além do mar.

"Em sua embriaguez foi além do horizonte,
imaginando beijos entre as ondas do mar,

E no vai e vem das aguas salgadas.,
Aprendeu que o mar tem gosto de lágrimas"..

LB

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Memorial de Maria Moura ...

Aqui um trecho de um grande livro, Memoria de Maria Moura.

Foi um amor desesperado , furioso, que doía, machucava; amor de dois inimigos, se mordendo e se ferindo, como se quisessem que aquilo acabasse em morte (...) Quanto tempo durou?- nos separamos exaustos (...) entendia que no meio daquele desadoro , que eu tinha mesmo que matar Cirino . Entre nós dois não podia mais haver solução. Se ele escapasse vinha atrás de mim para me pegar . Não ia nunca me perdoar tinha que se vingar desta hora de humilhação. Era impossível ele esquecer. Agora era ele ou eu" ( Maria obrigava-o a ficar trancado num cubículo e ameaçava-o com uma arma). "Fiquei atirada na cama , sem poder chorar, cega , surda, vazia por dentro(...) não era dor propriamente que eu sentia , era mais um estupor que me deixava dormente , numa espécie de meia morte(...) eu pensava às vezes que estava a bem dizer igual à situação de Marialva , quando servia de alvo ao marido" (Valentim era atirador de facas , treinava, no circo) "Só que o atirador de faca acertava sempre em mim, mas sem me ferir mortalmente, só me pegando pela pele me pregando na tábua, por toda a volta do meu corpo. Escorchada e sangrando , eu ficava morrendo de dor, sem contudo morrer nunca ", lamenta-se após mandar executar seu amado.

http://www.moisesneto.com.br/estudo08.html