"O meu vizinho do lado Se matou de solidão. Ligou o gás, o coitado, último gás do fogão Porque ninguém o queria Ninguém lhe dava atenção Porque ninguém mais lhe abria As portas do coração Levou com ele seu louro e um gato de estimação.
Há tanta gente sozinha Que a gente mal adivinha Gente sem brilho no olhar Gente sem mão para dar Gente a que basta um olhar (quase nada)... Gente com os olhos no chão Sempre pedindo perdão Gente que a gente não vê Porque é quase nada"
Eu sempre o cumprimentava porque parecia bom "um homem por trás dos óculos" como diria Drumond e num velho papel de embrulho deixou um bilhete seu dizendo que se matava de cansado de viver Embaixo assinado "Alfredo" mas ninguém sabe de quê.
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